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(des)identidade

maio 21, 2014

Lurya, Lin, Red, Audrey somos as mesmas pessoas.

Não temos os mesmos direitos. Não sofremos as mesmas violências. Não somos aceitas nos mesmos espaços.

Mas eu queria lembrar:

Enquanto pessoas não-binárias, Lin, Red, Audrey e Lurya temos a mesma identidade de gênero.

 

Não temos os mesmos corpos.

Algumes temos mais pêlos e/ou mais seios e/ou cabelos maiores e/ou diferentes freqüências vocais e/ou diferentes musculaturas e/ou órgãos.

Não temos as mesmas histórias.

 

Mas usamos os mesmos nomes. Nos vestimos com as mesmas roupas. Tocamos com a mesma suavidade. Beijamos com a mesma ternura. Amamos com a mesma freqüência dos corações

 

Nossa origem não nos torna pessoas irmãs – mas nossos caminhos, sim. Fodemos com nossa origem, com tudo o que nela esperavam profetizar “destinos”.

Nossa coletividade não se dá nem por histórias, nem por narrativas idênticas, mas muito mais por essa encruzilhada onde nos encontramos, onde nos espelhamos, onde nos montamos, tramando alianças onde só esperavam existir diferenças irreconciliáveis.

Somos uma família de mutantes, nosso parentesco bastardo.

Não nos gritam as mesmas ofensas.

A algumes de nós, gritam “viado”. A outres, “sapatão”. Tentam nos colocar em lugares distintos. Cavam nossos corpos, nossa biografia, para provar por A + B que somos diferentes. E SOMOS. Mas a diferença que escolhemos não é essa, do sexo binário que nos divide e nos padroniza. Nossa diferença é a das singularidades, nossas pecualiaridades, diferentes potências, criatividades, formas de resistir e lutar.

Lurya, Lin, Red, Audrey somos as mesmas pessoas.

A fronteira que nos separa é a violência cisgênera. A religião do sexo binário.

E estamos por aí, justamente para destruir estas fronteiras.

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Declaração anarcatransfeminista contra “vítimas”, o Politicamente Correto, e a Polícia RadCis.

fevereiro 12, 2014

*[Vítima – pessoa que recusa a se responsabilizar por sua própria vida, assumindo um papel de passividade]

**[“RadCis” – referência a pessoas parasitam teorias do “feminismo radical”, defendendo discursos e práticas que sustentam a supremacia cis, perseguindo e intimidando pessoas trans*)

antidefini

Alguém disse que requer menos esforço mental condenar do que pensar” (Emma Goldman)

Somos les monstres que sobrevivemos ao desafio diário de viver rodeades de merdas e normas que aprisionam nossos corpos e desejos. Somos les monstres que não são bem-vindes praticamente em nenhuma parte. Somo les monstres, as feias, as ásperas, as putas, les foragides do gênero, as bruxas, les animais, les degenerades, les pervertides, les maleducades, les punks. Somos les que vemos uma verdadeira possibilidade de transformar realidades, porque sabemos que transformar este infeno é a única forma que temos para evitar o suicídio ou o desejo de matar pessoas.

E algumes destes monstres temos algo importante a dizer.

Estamos fartes de vocês: fascistas do politicamente correto, pessoas sexofóbicas , les transfóbicas , ativistas que não querem nada mais que ser gente “normal”, aquelas que escolhem adaptar-se às normas do patriarcado, e todas as demais que estão julgando nossos desejos.

Estamos fartas de sua hipocrisia e de suas formas de comunicação sujas e traiçoeiras. Durante anos, estivemos construindo pontes e vocês se dedicam apenas a levantar novas fronteiras. Estamos fartas do veneno que seu ódio a vocês mesmas e sua ignorância estão injetando no nosso tempo e no nosso espaço.

Vocês, e toda a gente que não pode ir mais além dos genitais, que não se permite a si mesmas pensar livremente, que não são capazes de ver a beleza na sujeira, que não vão mais além dos estândares e as normas do pré-estabelecido, que não podem transpassar o espelho: estão apoiando o sistema heteronormativo-capitalista constantemente, relegando-nos a nossas posições de dor, precariedade e raiva.

Vocês são parte do puto inimigo e não vamos aceitar seus ataques por mais tempo. Desse modo, chamemos a isso de guerra aberta. Podem agora tirar suas máscaras cínicas, e assim finalmente poderemos ver nossas caras. Talvez nunca nos olharão nos olhos nem nos dirão de frente as coisas que dizem pelas costas. Porque vocês têm medo de dizer o que pensam livremente, porque engoliram sua medicina e aprenderam a ser covardes. Chamemos a isso de guerra aberta… e lhes destruiremos com um sorriso. Leia mais…

da supremacia cis entre feministas

janeiro 10, 2014

Fazem já alguns anos em que venho buscando dinamitar a posição de “homem”, à qual meu corpo foi politicamente assignado. Também já há alguns anos que experimento “disforias” corporais – na qual sinto meu corpo, suas partes, como algo distinto do que aparece a  outras pessoas como um ‘organismo masculino’. Faz pouco mais de dois anos que venho buscando dar expressão visual a essa vivência. Essa expressão deu visibilidade a uma série de conflitos e exercícios de violência – vindo de pessoas na rua, da universidade onde estudo, da minha família – às vezes mais explícitos, às vezes mais velados. Ciente que todas essas violências foram suavizadas por minha condição de passabilidade cis (que, no caso da minha assignação de gênero, implica em certos privilégios masculinos).

Faz pouco mais de uma semana, no entanto, que comecei a me afirmar explicitamente enquanto uma pessoa trans* não binária – em vista que, neste momento, não me identifico às posições de ‘homem’ ou ‘mulher’. Não por uma questão política abstrata, de entender que essas categorias precisam desaparecer politicamente (com o que concordo), mas por uma questão de minhas vivências: como sinto meus corpos, meus prazeres, como quero me relacionar e como quero ser percebide. Me afirmo como trans* por entender que essas experiências não são mera “ficção”, “imaginação” ou simplesmente “coisa da minha cabeça”: são vivências reais, com efeitos concretos, que merecem visibilidade e – sobretudo – respeito.

Pode ser que algum dia eu venha a me identificar enquanto “mulher”, e pode ser que não. Em todo caso, luto para que minha experiência – minha vida – seja tomada enquanto legítima. Luto para que minha vivência, e a de todas as pessoas trans*, seja respeitada.

Isso colocado, há algo vindo de espaços feministas que já não posso mais silenciar nem relativizar: o exercício da cis-supremacia, da violência transfóbica, contra minhas irmãs e irmãos trans*. Estes exercícios de transfobia que me afetam (direta ou indiretamente), ao reforçar e legitimar discursos/práticas patriarcais que me privam dos meus direitos, me vulnerabilizando a situações de violência (mesmo que não sejam exercidas diretamente por estas feministas).

O que estou chamando de supremacia cis? Trata-se do poder autorizado pelo patriarcado, que lhes legitima a legislar sobre quem são “verdadeires” mulheres/homens, ou  “verdadeires” fêmeas/machos, ou as “verdadeires” [insira aqui qualquer termo que possa ser usado para mascarar sua supremacia cis].

É o poder de decidir quais pessoas trans* “passam” e quais “não passam” – quais merecem ter sua identidade respeitada, e quais podem ser todo o tempo deslegitimadas, ter pronomes trocados, aprisionando-lhe dentro de sua assignação sexopolítica.

É de se entender que, dentro da nossa sociedade patriarcal, esse poder de legislar sobre a identidade de gênero alheia é uma prerrogativa exclusiva (ou predominantemente) de pessoas cis. Principalmente de homens cis – em vista que ocupam mais posições de poder -, mas também é um poder exercido por mulheres cis.

E o feminismo tem sido um dos espaços em que exercem esse privilégio, em torno da negociação do sujeito político de seu movimento, quando se vem à tona incluir a participação de mulheres e homens trans* dentro do movimento. Há pautas políticas comuns à mulheres cis e trans* (tais como a luta contra a cultura do estupro, contra os padrões de feminilidade); há pautas feministas comuns a mulheres cis e alguns homens trans* (a luta contra o estupro corretivo, a luta pela descriminalização do aborto e todas as questões que envolvem direitos reprodutivos) – pautas políticas que sempre foram, historicamente, bancadas pelo feminismo.

Mas, mesmo quando reconhecem a pluralidade de especificidades e demandas implicadas no grande guarda-chuva “mulher” (referente a questões tais como raça, classe, sexualidade), muitas traçam uma linha divisória quando envolve incluir as pessoas trans*. Mulheres trans* são excluídas porque, aparentemente, não possuem “vivência o suficiente em torno da condição de mulher” (seja por terem vivido parte de suas vidas identificadas enquanto ‘homens’; seja porque não podem gestar/abortar; seja porque podem engravidar mulheres cis ou homens trans*). Homens trans* são ou excluídos, por identificarem-se com a figura do “opressor”, ou são incluídos dentro de um contexto que nega o tempo inteiro suas identidades (ao tratar-lhes todo o tempo enquanto fêmeas). Pessoas trans* não-binárias são excluídas seja por um motivo, seja por outro – mesmo quando sofrem transmisoginia, ou mesmo quando enfrentam a violência de terem sido sexopoliticamente assignadas “mulheres”.

A mensagem que quero enviar a estas feministas – cúmplices à cis-supremacia e, portanto, ao patriarcado é: homens que podem gestar/abortar não são “fêmeas”. Mulheres que não podem gestar/abortar (dentre as quais incluem-se algumas mulheres cis, patologizadas pelo discurso médico como ‘inférteis’) não são “machos”.

Todes temos histórias distintas. Estamos em situações distintas. E essa ‘sororidade’, que aceita apenas a narrativa de mulheres cis como válidas para oferecer apoio e aliar-se politicamente, não é nada mais que o exercício do seu privilégio cis. Que tem efeitos muito mais perversos do que vocês se dispõem a perceber.

Pessoas trans* estão sendo acusadas de “dividir” o feminismo ao darem visibilidade à transfobia. Discurso muito parecido ao de machistas anarquistas/marxistas, acusando o feminismo de dividir a luta de classes. Discurso muito parecido ao dos discursos nacionalistas, que acusam as feministas, as travestis, as lésbicas, os gays, etc de estarem “dividindo” a Nação. Quer dizer: a demagogia da divisão não possui nada de novo. É a velha tática, de pessoas em posição de poder demonizando aquelas que questionam seus privilégios, buscando que sintam-se culpadas por romper seus silêncios. De forma a intimidar, e gerar mais silêncio.

E o silêncio, bem sabemos: nunca nos protegeu e não vai nos proteger. Não vamos mais aceitar pessoas que nos segregam e violentem, apenas esperando para que outro nos mate e finjam que não tiveram nada a ver.

Exercícios de transfobia e de cis-supremacia não passarão.

Balanço

dezembro 11, 2013

Sou feito de vento. Não tenho substância

Empresto minha voz e minhas células ao caos do mar

Empresto minha pele e minhas pupilas ao caos do amor

Existo entre gingas, nos intervalos em que tu respiras,

meus pontos de equilíbrio são torpes. Desajeitam  este chão

para que nunca deixemos de dançar quando caminhamos

para que nunca deixemos de cantar quando transpiramos

para que a vida nunca nos deixe

enquanto respiramos.

excessiva

dezembro 10, 2013

Roupas que não combinam, vozes que não agradam.
Glamour reciclado, maquiagem exagerada.
Borrada. Excessiva. Desajeitada.
Redundante
repetitiva
exagerada.
Excessiva.

Lasciva. Labirinta
mal-escrita
perdida

vontade fraca
carne tóxica
muita luta
pouca iniciativa

derrubada, caída.
Equilibrada entre gingas.

Gritos roucos de um monstro interior amargurado

dezembro 10, 2013

(Lin M. Arruda)
Eu sou esse monstro que urra dentro da sua mente palavras de ódio
as piores, as mais brutas e indecentes, as mais ríspidas e malignas
sou esse monstro que anda dentro de você, dentro de cada osso do seu corpo
dentro de cada lacuna do espírito, dentro da alma.
Eu sou esse monstro que você chama de agressividade, de compulsão, de recaída
ou falta de sorte.
Ocupo seus olhos e sua boca, suas vértebras, ocupo seu descontrole
seu medo, seu tédio, seu ócio.
Eu sou o monstro da sua carência, dos seus desejos possessivos,
de todas as coisas que você esconde à sete palmos dos olhos humanos
e revela de tempos em tempos, para quem você planeja deixar cicatrizes.
Sim, eu sou as cicatrizes, cada uma delas.
Mas não sou cicatrizes do corpo, da matéria, da casca
sou os arranhões feitos dentro de ti, dentro do oásis da carne, dentro da essência.

Sim, pequeno poeta do absurdo, revelo-me!
Revelo-me como o monstro de todas as faces que foi alvo de todos seus adjetivos depreciadores
pois monstros sofrem, meus caros, com esse tamanho desassossego.
Revelo-me para dizer-lhe que enquanto tu me negas, mais existo dentro de cada partícula de seu corpo
e minha presença é sua carne imutável, sua pele mais sagrada
mas meu papel de monstro, digo a vos, não é de todo o mal, é apenas de todo o mal necessário.

Sou em ti o monstro da revolução que corre em cada glóbulo do sangue que circula seu corpo
sou de vos o monstro da mudança, do terror enjaulado em cápsulas clandestinas de poder
sou de ti o monstro, ou líquido, que foi engarrafado em todas as bombas que já fizera
sou os estouros em corpos fardados, em vidros estilhaçados, nesse spray preso no muro
sou o monstro que lhe deu forças para correr nos momentos de fúria,
sou o monstro que lhe ensinou a esconder-se nos momentos de fuga.
Ti para mim és nada, apenas mais um dos corpos que habito,
entretanto, meu eu-monstro soa em seus olhos o desejo de tudo o que precisas.

Então, pequeno poeta do absurdo, reconheça-me!
enquanto tu corre pelas ruas fugindo da sobra de teu monstro
e o medo corrói cada vértice de tua carne
eu passeio, entre as árvores, tentando entender-te.

http://plataformadeeixos.blogspot.com.br/2013/11/gritos-roucos-de-um-monstro-interior.html

As bruxas não são mulheres

novembro 24, 2013

(por Yan Quimera – tradução livre do Espanhol)

Imagem

Nunca mudei porque alguém me convenceu da sua boa ou verdadeira ideia. Nunca mudei convencide por uma boa ou justa ação. Sempre mudei à base de feitiços, sejam estes relações, teorias, práticas, narrações… e justamente, de fato, um feitiço desfaz estas fronteiras. Mudanças que se apresentaram a mim primeiramente como bruxaria. Cada orgia, uma cerimônia sabática. Cada saber e prática novos, um feitiço. Cada membra da manada, uma bruxa.

As bruxas existiram e seguem existindo. As bruxas eram, e são, as hereges da ordem heteropatriarcal. As bruxas não são nem uma fantasia de contos de fadas, nem a fantasia de contas de fados. Bruxaria é uma palavra que nos roubaram para substituí-la por política. E arte. E ciência. E conhecimento… uma atividade diurna e normalizada, incapaz de subverter essa mesma ordem.

A história oficial (a narração consensual) oscila entre a negação e a negação. A negação de que a caça às bruxas tenha sido a base do estabelecimento da sociedade ocidental atual. E a negação de que eram bruxas.

A primeira nega que tenha sido um projeto de extermínio com fins muito claros: a eliminação voluntária e organizada das que manifestavam uma oposição e uma diferença à universalização da norma em expansão naquele momento. Essa primeira negação provém daqueles que defendem a norma atual desde seu lado direito.

A segunda nega que as bruxas eram mais que mulheres. Nega-se, sob o pretexto paternalista de defendê-las, que eram mulheres opostas à ordem heteropatriarcal. Uma postura vitimizante, que pretende transformar as bruxas em mulheres “normais”, quando eram mulheres que se definiam precisamente em oposição a esta norma, quando eram feministas. Pela mesma ocasião, minimiza-se a violência da ordem heteropatriarcal, apresentando a caça às bruxas como um excesso ocasional desta ordem e não como sua característica estrutural. Abrindo a porta para que este poder possa ser outra coisa. Uma negação, essa vez, que vem do lado esquerdo, pretendendo que este poder já não é o mesmo e que as bruxas, como tal, não existiam. Negando, assim, que podem existir ainda.

A caça às bruxas foi um extermínio de antagonistas e desertoras à norma. Tinham práticas sexuais opostas à heterossexualidade e viviam autônomas do patriarcado. Tinham modos de vida organizados em redes que combinavam a criação de zonas autônomas com o nomadismo, e que se opunham à herança patriarcal e estatal da terra e das riquezas. Tinham saberes situados e ordens simbólicas próprias que se opunham à centralização do conhecimento e da teologia dogmática. Trabalhavam para elas ou não trabalhavam, e se opunham à relação hierárquica feudal e matrimonial. A caça às bruxas tem sido uma guerra total (militar, ideológica, cultural, de gênero, sexual, territorial, econômica) para conseguir a modernização (quer dizer: a fase imperialista, totalitária e estatal) do regime heteropatriarcal. A caça às bruxas tem sido acima de tudo uma normalização planejada e sistemática.

A imagem folclórica que se tem, hoje em dia, da “Bruxa” é o reflexo dessa normalização. Uma imagem que nos apresenta uma bruxa sem bruxaria, uma mulher que tinha mais relação com a “natureza” por sua própria natureza. Com essa visão essencialista, se nega que as bruxas, por sua identidade escolhida de hereges, conseguiram desenvolver por si mesmas seus conhecimentos. Que haviam obtido estes conhecimentos por meio de suas práticas, e não por meio de algumas supostas características inatas que lhes permitia entender melhor as plantas, o corpo, a terra… e se limita assim, retrospectivamente, estes conhecimentos a algumas poções de plantas e feitiços esotéricos sem efeitos tangíveis. Opõem-se a bruxaria à técnica e à ciência “moderna”. Mantém-se a ideia de que suas práticas eram pré-lógicas, pré-científicas, que eram as que tinham o saber mais amplo do momento.

As bruxas não tinham mais conhecimentos sobre a “natureza”, e sim sobre o “entorno”. As bruxas eram as mais hi-tech do momento. As bruxas já eram ciborgues. Manipulavam os signos, símbolos, objetos e corpos para transformar efetivamente o mundo, à base de leis enunciadas e enunciados lidos, à base de narrações constitutivas de novas realidades, à base do uso da química e de suas possibilidades para alterar as capacidades mentais, à base de intervenções sobre o corpo para alterar suas funções, à base de práticas sexuais capazes de gerar identidades não-normativas…. Seus feitiços eram efetivos e hoje se encontram catalogados sob a categoria de arte, política, filosofia, técnica, ciência, sexualidade… A bruxaria era, e é, a manipulação e a transformação efetiva do mundo à base de feitiços. As bruxas eram, e são, as hereges da ordem patriarcal. E nem a repressão, nem a assimilação lhes farão desaparecer, porque são as que efetivamente têm a capacidade de mudar o mundo. Necessitamos outra forma de política, e pode ser que essa forma não seja outra coisa que a bruxaria. E o feitiço mais efetivo para isto é reconhecer-nos como bruxas.

(texto de Yan Quimera, publicado no livro Sexual Herria de Itzar Ziga – Editora Txalaparta, 2011)