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Gritos roucos de um monstro interior amargurado

dezembro 10, 2013

(Lin M. Arruda)
Eu sou esse monstro que urra dentro da sua mente palavras de ódio
as piores, as mais brutas e indecentes, as mais ríspidas e malignas
sou esse monstro que anda dentro de você, dentro de cada osso do seu corpo
dentro de cada lacuna do espírito, dentro da alma.
Eu sou esse monstro que você chama de agressividade, de compulsão, de recaída
ou falta de sorte.
Ocupo seus olhos e sua boca, suas vértebras, ocupo seu descontrole
seu medo, seu tédio, seu ócio.
Eu sou o monstro da sua carência, dos seus desejos possessivos,
de todas as coisas que você esconde à sete palmos dos olhos humanos
e revela de tempos em tempos, para quem você planeja deixar cicatrizes.
Sim, eu sou as cicatrizes, cada uma delas.
Mas não sou cicatrizes do corpo, da matéria, da casca
sou os arranhões feitos dentro de ti, dentro do oásis da carne, dentro da essência.

Sim, pequeno poeta do absurdo, revelo-me!
Revelo-me como o monstro de todas as faces que foi alvo de todos seus adjetivos depreciadores
pois monstros sofrem, meus caros, com esse tamanho desassossego.
Revelo-me para dizer-lhe que enquanto tu me negas, mais existo dentro de cada partícula de seu corpo
e minha presença é sua carne imutável, sua pele mais sagrada
mas meu papel de monstro, digo a vos, não é de todo o mal, é apenas de todo o mal necessário.

Sou em ti o monstro da revolução que corre em cada glóbulo do sangue que circula seu corpo
sou de vos o monstro da mudança, do terror enjaulado em cápsulas clandestinas de poder
sou de ti o monstro, ou líquido, que foi engarrafado em todas as bombas que já fizera
sou os estouros em corpos fardados, em vidros estilhaçados, nesse spray preso no muro
sou o monstro que lhe deu forças para correr nos momentos de fúria,
sou o monstro que lhe ensinou a esconder-se nos momentos de fuga.
Ti para mim és nada, apenas mais um dos corpos que habito,
entretanto, meu eu-monstro soa em seus olhos o desejo de tudo o que precisas.

Então, pequeno poeta do absurdo, reconheça-me!
enquanto tu corre pelas ruas fugindo da sobra de teu monstro
e o medo corrói cada vértice de tua carne
eu passeio, entre as árvores, tentando entender-te.

http://plataformadeeixos.blogspot.com.br/2013/11/gritos-roucos-de-um-monstro-interior.html

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