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anti-monogamia

dezembro 3, 2012

A monogamia (afetiva – que pode se dar inclusive na poligamia sexual) é uma economia libidinal do sofrimento.

Depositamos TANTO (expectativas, sonhos, afetos) na figura de uma única pessoa, construindo com ela um mundo que acreditamos ser tão completo, que a vida sem ela toma a figura de um abismo, um inferno ao qual não acreditamos ser capazes de sobreviver.

Compartilhar o afeto com mais pessoas é uma atitude ética com nossos sentimentos.
Ao fazê-lo, aprendemos a construir muito mais pontos de equilíbrio em nossa vida, que não desabam simplesmente quando uma pessoa vai embora – e o mesmo vale à outra pessoa, que (embora sinta saudades) tampouco desaba quando partimos.

Abrir mão do “paraíso” monogâmico (injetado em nós como algo intrinsecamente desejável) acaba sendo curar-nos do seu inferno.

Xs amantes (tanto mulheres, quanto homens), aquelXs que se envolvem em relações ‘ilícitas’, são a categoria política mais desprezada pela monogamia compulsória patriarcal.
Freqüentemente sofrem as piores agressões, que sequer são citadas nas análises acerca da “violência de gênero” – que se preocupa predominantemente com mulheres casadas e “de família”.
Mulheres que têm um caso com homens héteros

casados estão expostas aos piores tipos de violência – por parte da esposa daquele (por considerá-la culpada), por parte do próprio ‘amante’ (ao tratá-la de modo descartável), por parte do restante da sociedade que lhe considera ‘vadia’. O mesmo se passa com mulheres que se relacionam com uma mulher casada.
Num sentido semelhante, também muitos homens são mortos quando se envolvem “com a mulher de outro homem” (nossa cultura “amorosa” entende que mulheres possuem dono). Válido também quando se envolvem com ‘o homem de outro homem’.
Os exemplos podem se multiplicar. É possível que os ciúmes e a violência contra xs amantes seja o aspecto de maior assimilação de certos relacionamentos gays/lesbianos centrados no AMOr.
A monogamia compulsória é muito mais do que mera “preferência amorosa”. É um regime político que, cotidianamente, coopera com o assassinato daquelXs que corrompem a ordem e o equilíbrio estável do amor romântico – assassinato dXs amantes.
Assassinatos que sequer são levados em conta, por aquelxs que dizem se opor à violência de gênero e o patriarcado.
Morte ao AMOr. Vida àxs amantes.
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