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Seqüestro

maio 1, 2011

Poema escrito no ano retrasado. Gosto dele

“Invadiram esta cidade
instalando câmeras.

Anestesiaram, dissecaram minhas artérias
para o cultivo de velhas almas penadas

Depenaram minhas asas
amarrando as costas no assento de um Opalla

Seqüestraram meu dentes
devolvendo um rosto que se crê contente

Se infiltraram entre as matilhas
os lobos candidatadando-se a cães de guarda
as lobas a cadelas de família

Desapareceram com as crianças.
covas cavadas sem data de óbito
e o nascimento ali, em letra de médico,
testemunha as chamas que se apagam a cada ano.

Honrosos machos fabricados
generais da voz, dos ombros, músculos
e cabelos bem-aparados

Entre impecáveis bonecas, a costura
que engole sem saliva a fúria
de todas as cantadas, esfregadas, encoxadas, estupradas
com muita dieta, pillates e musculação
esboçam rascunhos da silhueta de madame.

O eletrochoque fugiu dos hospitais
já está nas rádios: espancando sua loucura
reciclando gases, e energia criativa.

Não se reprima: tenha iniciativa
martele suas culpas por tudo aquilo que você não fez.

Não se reprima: sorria.
pois invadiram sua cidade
instalando câmeras
no buraco cavado onde respiravam

cor

ações”

(Arthur Grimm)

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